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Por mais que nos toca viver entre idas e vindas, as surpresas batem à nossa porta um dia e nos mostra pelas vias menos prováveis o quanto estamos distraídos, o quanto somos ingratos, o quanto reclamamos de coisas amenas, o quanto somos imediatistas e que ser imediatista não são as mesmas regras que se aplicam a Vida, a Natureza, ao Tempo Divino. Não sabemos dos desígnios de Deus, tampouco a que viemos, mas o imediatismo culturalmente enraizado tem nos deixado cegos diante do que mais importa, corremos de lado a outro sem saber porque nem para que, e vivemos numa insatisfação crônica e doentia, trabalhando para engordar o consumismo de status sem ao menos nos preocuparmos com a miséria da ignorância e do discernimento. Engordamos nossos desejos temporais, instantâneos e efêmeros pois assim a vida passa e fazemos de conta que somos felizes e que o valor da Vida concedida por Deus é para diversão e satisfação do nosso próprio umbigo. Então tomamos remédios para acreditarmos que somos felizes e que nossos desentendimentos humanos são superados com bebedeiras de finais de semana, então fazemos plásticas para exaltarmos as embalagens que usamos e jogamos no lixo quando não nos interessa mais ou quando achamos uma embalagem que nos cobre mais barato e nos dê menos trabalho. Então a gente fala besteira e pornografia em uma roda de amigos mas que no fundo nos sentimos sozinhos porque nenhum dos presentes quer saber ou se interessa por saber como realmente você está, e então volta pra sua casa e toma seu remédio para adormecer pois assim se esquece por um tempo que é solitário. E então, como se decidir pela Vida, esta vida lúcida, plena e profunda dá trabalho e exige responsabilidade, optamos meio que por inércia irmos nos anestesiando ao longo dos dias, dos anos, de uma vida inteira... Pouco a pouco a couraça dura e adormecida do Esquecimento toma tamanha proporção que, morremos, lentamente dia e noite a cada momento em que nos omitimos, para nós mesmos quando temos oportunidades de sermos Felizes, retrocedemos dando um passo para trás, pois ser Feliz, é ser Livre e isto, exige responsabilidade... Mas, responsabilidade é algo que a gente prefere terceirizar, pois assim quando der errado, podemos acusar o Mundo pela nossa infelicidade. Liberdade é andar com as próprias pernas, é Ser Luz a si mesmo e aos demais, Liberdade exige esforço sim, responsabilidade e muita, mas não há melhor presente do que chegar a hora de partir e sentir-se possuidor e merecedor de ter vivido realmente feliz, pelo seu próprio esforço.
JAG



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